No dia 5 de agosto de 2026, o governo do Brasil anunciou uma diminuição no nível das relações diplomáticas com a Argentina, em resposta às repetidas ofensas proferidas pelo presidente Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal (STF). Esta decisão implica que o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não retornará ao seu posto enquanto os ataques continuarem.
A medida foi formalizada pelo Ministério das Relações Exteriores, que determinou que Julio Bitelli permanecerá fora da Argentina em face das agressões verbais constantes de Milei. Essas ofensas foram vistas como um desrespeito inaceitável nas relações entre os dois países.
Com essa mudança, o Brasil será representado na Argentina por um Encarregado de Negócios, cargo inferior que reflete a nova situação diplomática.
Em 26 de julho, após Milei ter insultado Lula durante uma convenção do Partido Liberal (PL), onde foi indicado o senador Flávio Bolsonaro para concorrer à presidência, Bitelli foi convocado de volta a Brasília. Na ocasião, Milei chamou Lula de “presidiário” e atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe.
Em nota oficial, o Itamaraty expressou: “Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, incluindo o Poder Judiciário e ao povo brasileiro”.
Aos poucos dias após a convenção do PL, as ofensas contínuas de Milei a Lula incluiram termos como “ladrão” e “lixo socialista”, além de novas manifestações públicas desrespeitosas ao STF.
Esses ataques reiterados levaram à decisão do Brasil de não reestabelecer a presença do embaixador Julio Bitelli na Argentina enquanto as agressões persistirem.
Argentina
O governo argentino manifestou sua desaprovação em nota publicada nas redes sociais, considerando a decisão brasileira como “unilateral” e motivada por questões “puramente ideológicas”.
<p“O critério adotado pela Argentina é nunca responder a divergências políticas com medidas institucionais”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores argentino.
Por sua vez, o governo brasileiro defende que mantém laços diplomáticos com diferentes perfis ideológicos e que as ofensas foram o principal motivo para o rebaixamento nas relações diplomáticas.
Repercussão
A decisão brasileira gerou repercussão na mídia argentina. O jornal Clarín caracterizou a medida como uma “dura sanção diplomática”.
O Infobae destacou que as relações entre Brasil e Argentina estão enfrentando uma “crise sem precedentes”, ressaltando a preocupação do setor empresarial argentino com essa situação.
O Brasil se destaca como o principal parceiro comercial da Argentina; no acumulado entre janeiro e junho deste ano, 12,6% das exportações argentinas tiveram como destino o Brasil, superando China (9,9%) e Estados Unidos (9,8%), conforme dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina (Indec).
No ano passado, a Argentina ocupou a terceira posição entre os principais destinos das exportações brasileiras, totalizando US$ 18,1 bilhões em bens comercializados, representando 5,2% do total exportado pelo Brasil. As informações são provenientes da Comex Stat, banco de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
