‘Rombo’ de R$ 830 milhões contra Capag A+: o novo campo de batalha entre Ciro e Elmano no CE

Ciro Gomes e Elmano de Freitas debateram pela terceira vez nesta terça-feira, em confronto promovido pelo UOL e pela TV Jangadeiro/SBT. Segurança pública voltou a aparecer, mas o bloco de abertura trouxe um tema pouco explorado nos dois encontros anteriores: a situação fiscal do estado.

Ciro abriu o debate afirmando que o Ceará terminou 2025 com déficit de R$ 830 milhões, com previsão de aprofundamento da crise neste ano. “Se não houver conta pública sadia, não se pode mudar a segurança, não se pode qualificar a saúde, não se pode enfrentar o desenvolvimento perdido pelo estado do Ceará. Qualquer promessa sem dinheiro é mentira”, disse o candidato.

Elmano respondeu citando a nota máxima do estado na Capacidade de Pagamento do Tesouro Nacional, obtida pelo terceiro ano consecutivo, e a redução da dívida líquida estadual. “Nós temos a melhor nota de equilíbrio fiscal da história do Ceará, o maior investimento público da história do Ceará e contas absolutamente equilibradas”, afirmou. O dado da Capag já havia sido usado pelo governo estadual como contraponto ao discurso de oposição em ocasião anterior, coberta por este site.

As duas afirmações não são necessariamente incompatíveis: é possível registrar déficit orçamentário num exercício específico e, ao mesmo tempo, manter classificação de risco elevada perante o Tesouro Nacional, já que a Capag avalia sobretudo a capacidade de honrar dívidas e endividamento relativo, não o resultado fiscal do ano corrente isoladamente. O debate não avançou o suficiente para esclarecer se os R$ 830 milhões citados por Ciro se referem ao resultado primário, ao resultado nominal ou a alguma outra métrica específica, o que deixa o espectador sem elementos completos para avaliar qual das duas leituras é mais representativa da real saúde fiscal do estado.

No bloco de segurança pública, os candidatos apresentaram propostas concretas em vez de repetir o embate mais retórico dos debates anteriores. Ciro defendeu concentração de esforços nas lideranças de facções, combinando inteligência profissional com informações colhidas nas próprias comunidades. Elmano prometeu contratação de 6 mil novos profissionais e ampliação da Companhia de Pronta Resposta e do programa Quadrante Seguro.

Questionado sobre a composição de sua chapa ao Senado, que reúne Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL), Ciro argumentou que setores de oposição com históricos distintos decidiram superar divergências internas para construir um projeto conjunto no estado. Elmano associou a aliança ao bolsonarismo e lembrou o apoio de Ciro a André Fernandes na disputa pela Prefeitura de Fortaleza.

O debate também repercutiu a sabatina do dia anterior, quando o senador Cid Gomes afirmou publicamente que só aceita ser chamado de “traidor” pelo próprio irmão e demonstrou desejo de reaproximação. Questionado sobre a fala, Ciro evitou comentar diretamente o assunto.

Na parte final, o debate avançou para geração de emprego e desenvolvimento regional. Elmano defendeu a Transnordestina, o campus do ITA no estado e investimentos em tecnologia como vetores de atração de empresas. Ciro contestou o cenário econômico apresentado pelo adversário, citando pobreza, baixos salários e fechamento de indústrias, e prometeu programa de renegociação de dívidas das famílias cearenses: “Hoje, mais da metade do povo cearense está no SPC, humilhado. E eu vou fazer um projeto que vai reestruturar essa dívida.” Os dois voltaram a divergir sobre os efeitos da reforma tributária na indústria local, com Elmano citando ampliação da produção calçadista e a possibilidade de retomada da refinaria de biodiesel de Quixadá.