Netanyahu se aproxima da maioria em Israel, enquanto partidos árabes alcançam 19 cadeiras

Com mais de 85% dos votos contabilizados na eleição realizada em Israel na terça-feira (27), nenhum dos dois blocos políticos conseguiu atingir as 61 cadeiras necessárias para a formação de um governo no Knesset, que possui um total de 120 assentos. O grupo de direita e religioso liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conta com 53 cadeiras, enquanto a oposição, sob a direção do ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, possui 48. Os partidos árabes, por sua vez, alcançaram 19 assentos, conforme informações divulgadas pela Comissão Central de Eleições, conforme reportado pelo Times of Israel.

Na pesquisa de boca de urna da noite eleitoral, os partidos árabes foram projetados com 18 cadeiras, o que já representaria um recorde histórico. Após a apuração final, o número subiu para 19, possibilitando uma aliança com o bloco de Eisenkot que resultaria em um total de 67 cadeiras.

Distribuição dos Partidos

Conforme os dados divulgados pelo site Ynet, após quase toda a contagem das urnas comuns, o Likud de Netanyahu permanece como a maior legenda, conquistando 26 cadeiras. O Yashar!, liderado por Eisenkot, obteve 21; enquanto o Beyachad do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett garantiu 12. A Lista Conjunta dos partidos árabes contabilizou 13 cadeiras; os Democratas somaram 8; o Yisrael Beytenu ficou com 7; e o Ra’am, também árabe, conquistou 6 assentos.

No campo político de Netanyahu, além do Likud, estão presentes o Judaísmo Unido da Torá (7), Shas (7), Otzma Yehudit (7), liderado pelo ministro Itamar Ben-Gvir, e o Sionismo Religioso (6). Três listas não conseguiram ultrapassar a cláusula de barreira de 3,25%, incluindo a dos reservistas, que obteve apenas 2,6% dos votos.

Votos Pendentes

A Comissão Eleitoral estima que ainda restam entre 430 mil e 480 mil votos em envelope duplo para serem contabilizados. Esses votos são provenientes de soldados, diplomatas e eleitores fora do seu domicílio e podem representar cerca de 12 cadeiras adicionais. A soma desses votos deve ser concluída até a tarde da quinta-feira (29). O resultado oficial é esperado para ser divulgado no dia 4 de novembro.

Declarações dos Líderes

Eisenkot declarou uma vitória ao afirmar: «Fizemos história» e «o público optou pela mudança». Na mesma noite da eleição, ele criticou Netanyahu chamando-o de «primeiro-ministro interino sem mandato e sem respaldo popular». Em resposta, Netanyahu fez um apelo à união: «A maioria sionista precisa reconhecer a situação e se unir. Apenas assim conseguiremos assegurar o futuro de Israel».

O presidente da Lista Conjunta, Yousef Jabareen, afirmou que o governo formado por Netanyahu e Ben-Gvir «tornou a vida insuportável para cada cidadão árabe». Ele expressou disposição para colaborar na derrubada do governo atual. O presidente Isaac Herzog também se manifestou pedindo aos partidos que evitem novas eleições e busquem negociações «com mente aberta».

A Importância do Voto Árabe

A menção de Netanyahu à «maioria sionista» revela uma estratégia central da direita contra uma possível coalizão de oposição sustentada por partidos árabes. Historicamente em Israel, nenhum partido árabe havia feito parte formalmente de um governo até 2021, quando o Ra’am se uniu à coalizão liderada por Bennett e Yair Lapid durante um ano.

A primeira batalha política já está em andamento: segundo informações do Times of Israel, o bloco liderado por Eisenkot está considerando a substituição do presidente do Knesset Amir Ohana do Likud com apoio dos partidos árabes. O controle sobre a mesa do Parlamento é crucial para definir os trâmites das votações até que um novo governo seja estabelecido.